O que se sabe e o que falta esclarecer sobre o incêndio e o desabamento em São Paulo


Por G1

 

Prédio que desabou durante incêndio em SP foi sede da Polícia Federal

Prédio que desabou durante incêndio em SP foi sede da Polícia Federal

Oedifício Wilton Paes de Almeida desabou na região do Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo, após um incêndio na madrugada desta terça-feira (1º). Ocupado por dezenas de famílias sem-teto, o imóvel tinha sido tombado em 1992 por ser considerado “bem de interesse histórico, arquitetônico e paisagístico”.

Em oito segundos, prédio desaba e leva moradores ao desespero

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Veja abaixo o que se sabe sobre o incêndio:

Como o fogo começou?

Até as 11h desta terça, não havia confirmação. Relatos apontam que o incêndio começou no 5º andar por volta da 1h30. O desbamento ocorreu em torno de 2h50. O caso será investigado pela Polícia Civil.

O incêndio deixou feridos ou mortos?

Até as 20h30 desta terça, não havia confirmação sobre feridos ou mortos no incidente.

Há desaparecidos?

Moravam no prédio 372 pessoas, de 146 famílias, segundo o Corpo de Bombeiros. Dessas, 43 pessoas ainda não foram localizadas. Isso não significa que essas pessoas estejam sob os escombros. Elas apenas não foram encontradas oficialmente pela corporação.

De acordo com o capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros, essa é a única pessoa que está sendo buscada no local.

Imagens registradas pelo cinegrafista Abiatar Arruda, da TV Globo, mostram que uma equipe dos bombeiros estava no topo do prédio vizinho, de onde buscava resgatar esse homem. Ele já estava com um cinto de segurança e atado a uma corda, mas caiu junto com o prédio antes de ser puxado para o teto do prédio vizinho.

O que dizem os bombeiros até agora sobre o incêndio?

O capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros em São Paulo, disse que as condições do prédio e da ocupação podem ter contribuído.

“Ele tinha elevadores que foram substituídos (retirados). Então, esses dutos de ar que eles tinham no meio, pelo fosso do elevador, eles acabam formando uma chaminé. Você tinha muito material combustível: madeira, papel, papelão, algo que fez com que essa chama se propagasse com rapidez. E a própria estrutura do prédio, sem os elevadores, formando essa chaminé, fez com que causasse o incêndio de forma generalizada na edificação”, afirmou Palumbo.

O porta-voz dos bombeiros disse ainda que a corporação vai esperar 48 horas para começar a mexer na estrutura do edifício. Até lá, só será feita a limpeza no entorno do local, “para garantir a segurança dos bombeiros e de possíveis feridos”.

Os trabalhos no local devem durar uma semana.

O que dizem especialistas?

Segundo Paulo Helene, professor de engenharia da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e especialista na área há 30 anos, o desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida foi uma “tragédia anunciada” pela falta de sistemas de proteção antifogo, falta de ação do poder público e a estrutura mista de concreto e aço do edifício, menos resistente ao fogo.

De quem era o imóvel e quem morava nele?

O imóvel pertencia à União, estava sem uso oficial e havia sido ocupado por grupos sem-teto. Ele chegou a abrigar a sede do INSS e da Polícia Federal. O edifício foi colocado para leilão em 2015, por R$ 24 milhões, mas ninguém adquiriu. Em 2017, o imóvel foi cedido para a Prefeitura de São Paulo, para instalação da Secretaria de Educação e Cultura da cidade, segundo o Ministério deo Planejamento.

A ocupação era conhecida por autoridades?

Sim. Prefeito, governador, presidente e bombeiros dizem que a situação do imóvel não era ignorada.

Há outros prédios ocupados de maneira similar?

Segundo o prefeito Bruno Covas (PSDB), a Defesa Civil vai fazer uma vistoria nesses locais para que a prefeitura verifique “que ações devem ser tomadas a curto prazo, se há alguma ação emergencial que precisa ser feita no curto prazo no ponto de vista de risco”.

Quantas famílias moravam no local? Para onde serão levadas?

O prédio era ocupado por 372 pessoas, de 146 famílias, segundo o Corpo de Bombeiros.

No dia 10 de março, a Prefeitura de São Paulo cadastrou cerca de 150 famílias que afirmavam morar no prédio, somando 400 pessoas. Desse total, 25% eram famílias estrangeiras.

Álém do prédio que desabou, o que mais foi afetado?

O incêndio atingiu dois prédios vizinhos, o desabamento do prédio atingiu o teto e paredes da Igreja Evangélica Luterana de São Paulo.

Igreja Evangélica Luterana também desabou em parte após ser atingida pelos escombros (Foto: Reprodução/TV Globo)Igreja Evangélica Luterana também desabou em parte após ser atingida pelos escombros (Foto: Reprodução/TV Globo)

Igreja Evangélica Luterana também desabou em parte após ser atingida pelos escombros (Foto: Reprodução/TV Globo)

Qual o impacto do incêndio na região?

Para que o atendimento das equipes do Corpo de Bombeiros, da Defesa Civil e da assistência social possam atuar foram bloqueadas as seguintes vias pela Companhia de Engenharia de Tráfego: Avenida Rio Branco x Avenida Ipiranga; Avenida São João x Rua Conselheiro Crispiniano; Largo do Paissandu; Avenida Ipiranga x Rua dos Andradas; Avenida Ipiranga x Rua do Boticário. Os motoristas são orientados a evitar as imediações das interdições.

A SPTrans informa que 40 linhas de ônibus foram afetadas. As linhas que tem como destino final a Praça Ramos param no Largo do Arouche, e aquelas que se dirigem para o Largo do Paissandu e para a Praça do Correio param na Praça Princesa Isabel.

Além disso, a Linha 2002-10 Terminal Parque Dom Pedro II-Terminal Bandeira está sendo desviada pelo eixo das avenidas Senador Queirós e Prestes Maia.

Infográfico mostra detalhes do edifício que desabou após pegar fogo no centro de SP (Foto: Juliane Monteiro/G1)Infográfico mostra detalhes do edifício que desabou após pegar fogo no centro de SP (Foto: Juliane Monteiro/G1)

Infográfico mostra detalhes do edifício que desabou após pegar fogo no centro de SP (Foto: Juliane Monteiro/G1)